sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

São os Loucos Anos 20 - Parte VI


São os Loucos Anos 20 
Parte VI
 
Passaram-se quatro dias até que os olhos cinza a encontrasse. Foi no pequeno vilarejo, ela montada em sua égua castanha, lustrosa, aguardando Lucas e alguns de seus amigos em frente a pequena mercearia, o olhar vagando em direção ao bonito pôr-do-sol que se aproximava quando, enfim, ela os viu. Ali, recostado no umbral da mercearia. Seu coração se encheu de tamanha felicidade e o sorriso que se formou em seus lábios foi tão sincero que pela primeira vez ela viu mais que os olhos cinza, ela viu, também, um sorriso de dentes muito brancos e um brilho no olhar que ainda não conhecia. Reconheceu que ele a amava e aquilo lhe pareceu a melhor sensação que alguém poderia ter, porque entendeu que ela o amava também.  
A partir daquele dia, não foi diferente. Sempre que Anita saía para cavalgar com o noivo e com os amigos, para caminhar ou passear pelo pequeno vilarejo ou quando caminhavam todos juntos até a cachoeira, lá estavam os olhos cinza e, desde a troca de sorrisos, aquele olhar vinha acompanhando de algo mais. Era como se aquele sorriso de Anita tivesse autorizado à aproximação dele. Antes sempre de longe, agora sempre mais próximo, ela pôde observar a suavidade do branco da pele do seu rosto.
Ela sabia que não era só beleza. Belo Lucas também era, e muitos de seus amigos e pretendentes eram, mas nenhum despertava nela aquela sensação, aquele tremor e falta de ar. Ela não ansiava por qualquer deles como ansiava por ele. Havia algo mais. Algo que exalava dele. 
Pensando bem, se deu conta de que suas roupas também tinham algo de diferente. Só agora ela tinha percebido que ele não se vestida com a elegância afetada de seus companheiros de riqueza, tão pouco usava as roupas surradas dos trabalhadores braçais ou os ternos desbotados comuns à classe média urbana.
Anita se perguntava de onde aquele ser tão fascinante havia vindo. Pela primeira vez em sua vida, compreendeu o que era amar e agora desejava profundamente saber o nome daquele a quem amava. 

(continua)

2 comentários:

  1. Linda história, como sempre! Você escreve muito bem, você devia fazer disso sua profissão. Parabéns!

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  2. Hahaha... muito obrigada, mas não acredito que já esteja com essa "bola toda"... realmente escrever tem sido delicioso... e que bom que tem gostado!!!;o)

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