quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

São os Loucos Anos 20 - Parte III


São os Loucos Anos 20
Parte III

“Uma noite extraordinária, sem dúvidas!” – seu pai concordou enquanto apertava às mãos de um dos convidados escolhidos a dedo entre a mais nobre elite nacional. Alguns tinham vindo de longe prestigiar o noivado dos filhos de duas das famílias mais ricas e influentes do país. A mansão estava totalmente iluminada. Os melhores talheres e jogos de prato estavam postos à mesa, presente do governador do Estado, tio de sua mãe, quando das bodas de seus pais. Tapeçarias cobriam o chão de mármore, champangne borbulhava nas taças das senhoras e uísque girava nos copos dos senhores. Caviar, lagosta, camarões eram servidos à vontade, bombons finos e tortas de frutas feitas pela melhor confeitaria da cidade. Até os criados vestiam uniformes novos, impecavelmente brancos e azuis desenhados e confeccionados especialmente para aquela ocasião.
Ela havia planejado e escolhido cada detalhe, inclusive o noivo. Uma escolha pensada e analisada dentre os muitos pretendentes. Lucas Giafrani era filho de um importante político, mas, apesar de ter crescido em meio à riqueza, não era como os outros de sua espécie. Leitor voraz, era um intelectual apesar de contar apenas 25 anos. Tinha estudado direito e sociologia, falava diversas línguas e, apesar disso tudo, tinha bom humor. Anita sabia que ela também tinha sido para ele uma escolha pensada. Com seus planos de graduar-se mestre na Universidade de Oxford, queria uma esposa capaz de acompanhá-lo com desenvoltura no meio acadêmico e, dentre a fina-flor da sociedade, ninguém era melhor do que ela. Seria um casamento sem paixão arrebatadora, e por isso mesmo, parecia ter tudo para dar certo. As famílias ficaram em êxtase quando o comunicado foi feito. Nada poderia agradar mais ao pai da moça e nada poderia ser mais interessante ao pai do moço.
O salão de jantar foi reservado apenas para receber os presentes. Caixas e caixas de todo tipo de objetos elegantes e caros, uma pequena fortuna em cristais, louças, tapetes, de tudo que era belo e de bom gosto, já que cada um dos convidados queria ser o mais agradável, dar o melhor presente e nenhum deles mediu esforços para tanto.
A festa de noivado teve a elegância suave que caracterizava os noivos. Ela com um lindo vestido Chanel, de seda azul clara, trazido de Paris para a ocasião, combinava com o colar de pérolas de três voltas e os brincos, presente da mãe em seu último aniversário, ela era um ícone da moda naquele momento. Ele, de terno bem cortado e camisa azul, cabelos oleados, penteados para trás, olhos vivos, negros e inteligentes. Na hora de receber a aliança, até mesmo Anita ficou surpresa com o presente do noivo, um belo e enorme Cartier.
A noite havia sido perfeita e as colunas sociais comentariam o acontecimento por vários dias. Outras noivas copiariam sua festa, seu vestido, sua maquiagem, mas poucas poderiam ter um anel como o que ela agora traria no dedo indicador. Exausta pelas emoções do dia e por todo trabalho que tinha tido para que a festa fosse perfeita, não demorou a pegar no sono, mas, naquela noite, sonhou com aqueles olhos cinza que tinha visto há tantos meses.


(continua)

3 comentários:

  1. Oi!

    Estou gostando muito desse negócio meio Drácula dos olhos :) Ansiosa para a continuação!

    Beijos!

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  2. Suas histórias são maravilhosas!!! Espero ansiosamente pela continuação.

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  3. Muito obrigada! Estou trabalhando na história, confesso que ainda estou em dúvidas quanto ao final, mas tem bastante pela frente ainda.

    Abraços;

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